"Talho de Fão"
Numa altura em que muitos estabelecimentos comerciais fechavam e com 2 talhos abertos em Fão, Fernando Brás Marques veio das Marinhas apostar na vila onde desde jovem passou bons momentos e fez boas amizades e viu boas perspectivas de negócio .
Um negócio herdado do pai
O pai, também marchante, abriu o primeiro talho em Marinhas, em 1968. Aí para além de colaborar e aprender com ele, acabou por lhe herdar o estabelecimento. Mais tarde abriu outro em Belinho e ficou com os 2 em simultâneo, durante alguns anos. Até que decidiu passar estes dois talhos e investir em Fão, uma terra que conhecia muito bem.
Fernando - “Aqui sempre tive muitos amigos e passei muito tempo, principalmente depois de ter sido fundado o Núcleo Columbófilo, com o Gustavo e os “Carneiros”, pois eu sou um aficcionado desse desporto.”
Um princípio difícil na rua de S.João
Confessa-nos que o início não foi muito fácil, pois era novo cá e os clientes estavam já fidelizados e claro, numa altura em que iam abrindo mais e mais grandes superfícies. FBM- “Abrimos a casa em 1994 na Rua de S.João, junto à Pã-Pã e tentamos logo cativar a clientela pela simpatia e um atendimento muito personalizado, oferecendo mais e melhores produtos. O negócio sempre foi familiar, embora apenas eu me dedique a tempo inteiro, os meus filhos e principalmente a minha esposa, sempre me ajudaram muito.
Tentei diversificar a oferta e angariar clientes de grande dimensão, como Hospital, Infantário, Centro de Dia, Restaurantes, Liceu, etc… . O futuro deu-me razão e motivação e consegui “agarrar” um bom número de clientes.”
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A mudança para a Avenida Visconde S.Januário
A comprovar o sucesso, chegou uma altura em que a casa era muito pequena para poder fazer face às exigências, quer dos produtos, quer dos clientes, quer das normas de higiene alimentar.
FBM- ”Por isso, decidi vir para esta loja, na Av. Visconde S. Januário, onde temos mais espaço para nós e para os clientes, melhor estacionamento e mais luz.
Tenho um colaborador a trabalhar comigo, pois muito do meu tempo é passado no exterior a comprar produtos e no atendimento e fornecimento aos clientes de maior dimensão. Esses clientes hoje representam cerca de 50% do negócio, mas todos são importantes e não descoramos a simpatia, o atendimento personalizado, a higiene e a qualidade dos produtos. Aqui tentamos sempre fazer a vontade ao cliente e ir de encontro às suas preferências e exigências.
Por exemplo, a maior parte da carne, vou comprá-la directamente ao produtor, eu escolho o gado que depois mando para o matadouro e também fazemos “fumeiro” de alguns enchidos.”
É preciso acompanhar o mercado e quebrar a monotonia
Instado a falar sobre a grande quantidade de estabelecimentos a fecharem na nossa vila, ao passo que ele foi crescendo e consolidando o negócio, Brás Marques refere que por vezes o que “mata” o pequeno comércio local, é alguma estagnação.
FBM- ”É preciso acompanhar os tempos e as modas, saber ir de encontro ao cliente e dar-lhe uma oferta mais diversificada. É claro que os grandes espaços nos roubam alguma clientela, pois poderão ter um ou outro preço mais barato, embora a nossa qualidade/preço seja um ponto forte a comparar. É que enquanto nós temos de pagar aos fornecedores praticamente a pronto, eles compram às toneladas com pagamentos a 60 ou 90 dias e só aí já ganham fortunas. Por outro lado, enquanto eles recebem na hora, nós vendemos muito a crédito, mesmo ao cliente individual.Mas andamos à frente em vários aspectos.
Aqui em Fão, isso também acontece e claro não foge à crise que é generalizada. Cada vez hà menos dinheiro e as pessoas não compram tanto.
No Verão há um aumento considerável do negócio, pois vem muita gente para cá e muitos clientes com outro poder de compra. Pode-se dizer que Fão é uma terra acolhedora, onde fui muito bem recebido e estou muito grato aos fangueiros com quem tenho tido uma excelente relação a todos os níveis.”
Com um sorriso tranquilo nos lábios, o Fernando, antigo companheiro de alguns de nós no antigo Colégio Infante de Sagres, em Esposende, pelo meio recorda os tempos do Dr.Alceu e dos jogos de futebol nas traseiras da escola, onde se fizeram grandes amizades, por entre pontapés, arranhões, golos e muita alegria. Um bom exemplo de como combater a desertificação e estagnação do nosso comércio, que com certeza, ajudaria à revitalização e reanimação da vila.