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CASA PENETRA
80 anos a servir bem e bem servir…

Esta é a casa comercial mais antiga de Fão e tem resistido com saber, aos tempos e à crise da globalização.
Se precisa de ferramentas, loiças, candeeiros, recordações locais, cortinas, talheres, parafusos, panelas, vassouras, tapetes, lâmpadas, postais, vidros, tintas, gessos, diluentes, vernizes, coletes retroreflectores, cremes de barbear, água oxigenada, perfumes e muitas mais utilidades que habitualmente utiliza na sua habitação, a Casa Penetra tem. Por certo até daria um bom slogan.
A larga experiência profissional e a intuição do Manuel “Penetra” levam-no a organizar os seus stocks com base nas necessidades das pessoas e raramente terá de dizer não a um cliente, para além do conselho sobre as melhores opções para um problema que lhe seja colocado.
A Casa Penetra nasceu há cerca de 80 anos e situa-se ainda no seu local primitivo, em plena rua “Direita”, embora com acomodação mais recente, tendo sido criada por Manuel Penetra, padrinho do actual proprietário. Teve inicialmente o nome de “Casa dos Rádios” devido aos princípios da electrificação em que Manuel Penetra se constituiu em pioneiro local na área desse negócio e provavelmente daqueles instrumentos que davam música.
Manuel Vale de Sousa, o actual dono e gerente, ainda trabalhou com o padrinho, mas foi logo depois da sua vinda do Ultramar que tomou as rédeas do negócio. Estávamos em 1968.
Do “velho” e já diversificado comércio ainda recorda a venda de sal, muito utilizado na salga dos porcos e a procura vinha sobretudo dos nossos lavradores e das freguesias vizinhas.
! “maquia” de sal, “meia-maquia” de sal ainda lhe soam como expressões familiares, num negócio que começava pela deslocação e compra nos armazéns salineiros para as bandas de Aveiro.
Teve algumas experiências na área dos electrodomésticos mas acabou por reforçar no sector dos materiais de construção, sobretudo dos acabamentos. Ferragens, tintas, vernizes e outros e uma atenção sempre especial às utilidades, foram-lhe permitindo assegurar calmamente a loja.
A falta de gente na “baixa” fangueira tem-se reflectido nos comércios instalados e hoje a Casa Penetra é a imagem de um resistente de pé. A última foi a farmácia, que ainda trazia obrigatoriamente uma gentinha ao centro de Fão e que mudou o seu espaço comercial para junto da Estrada Nacional, muito perto da Extensão do Centro de saúde, que muito tarda em ser inaugurado.
Mas Manuel “Penetra” encara o futuro com realismo.
Ele sabe que até a época de Natal e Páscoa já deixaram de ser interessantes em termos de vendas. O Verão, embora curto, ainda ajuda um pouco.
O Turismo sénior que por cá aparece não consome.
Percebeu que a aposta continua a ser nas utilidades domésticas, no residente local que aprecia o “Bricolage” e ali encontra tudo para os seus afazeres caseiros, curiosamente a um preço bastantes vezes mais barato do que em estabelecimentos “discount”.
Manuel “Penetra” pensa na reforma daqui a uns 3 ou 4 anos e encara essa mudança como natural, desde que a sucessão na exploração o satisfaça.
Mas esboça um sorriso quando coloca a hipótese de continuar a trabalhar.