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A barraquinha da Cindinha

Agora que veio o calor do Verão, ainda que por cá tenha chegado de mãos dadas, íntimo e afeiçoado, ao vento norte, a temperatura e a ambiência apelam para o consumo de bebidas refrescantes, comidas de fácil digestão e sobeja sempre espaço no aconchego do estômago para nos presentearmos de quando em vez com um gelado.
Nesta época do ano sobejam os locais onde se pode adquirir estas doçuras frescas dos mais variados sabores e para os mais distintos gostos, mas Fão é detentora de uma barraca situada lá para os lados da zona de Ofir: A Barraca da Cindinha.
Cindinha, carinhosamente assim conhecida e tratada por todos os fangueiros, é já uma personagem característica da nossa vila, não porque oferece aos clientes gelados melhores do que os que se encontram disponíveis noutros locais mas sim porque há já várias décadas que faz deste negócio o seu meio de subsistência. Desde os tempos em que de sua casa partiam arcas que através de pés e braços humanos calcorreavam a areia tórrida da praia de Fão, desde o Fajil, passando pela Bonança até ao Ofir.
Esta barraquinha, ao contrário das demais, tem a particularidade de estar aberta todo o ano, esteja o vento agreste do Outono, faça a chuva do Inverno, acorra a brisa agradável da Primavera acompanhada pelo canto dos pássaros que esvoaçam no céu ou se imponham os raios quentes de um Verão que traz consigo muito turismo à nossa terra.
Perguntar-se-ão os leitores: que razão levará à exploradora de um negócio destes a permanecer com ele aberto nas estações menos favoráveis para o mesmo? A resposta passa pelas palavras versatilidade e adaptação. Se no Outono ou Inverno não se vende gelados, a Cindinha negoceia as castanhas das quais parte e se espalha pelo espaço circundante o cheirinho que desperta em nós o desejo de as provar até porque nada melhor do que comer castanhas acabadinhas de assar, quentes, deliciosas, em dias em que o frio já começa a fazer-se sentir.
Quem conhece a barraca da Cindinha concerteza que já provou as famosas línguas da sogra que em sacos aguardam ser degustadas como forma de tapar o buraquinho que por vezes surge quando se passa muitas horas na praia. E para que não se padeça de garganta seca sempre se pode aqui comprar uma garrafa de água ou sumo para acompanhar.
O novofangueiro optou por destacar esta nossa conterrânea não somente por a época ir ao encontro do negócio a que se ocupa mas igualmente porque se irá notar quando, por qualquer motivo que nos for alheio, se passar e se vir a barraca fechada e já não podermos olhar e dizer o bom dia ou então responder à pergunta que já tão habitual: oh môr, podes dizer-me as horas?.