O Natal arrefeceu e o seu brilho é mais sentido à noite nas ruas da cidade, onde o comércio é mais intenso e as montras completam os cenários refulgentes de luz.
As rotundas citadinas também são gente e na Vila fangueira acendem-se algumas imitações de luz que o erário singular entendeu reunir em colecta.Parece um desconfortável destino...
Seja de noite ou de dia, a solidão entorpece o centro antigo fangueiro e não se vislumbra qualquer plano de acção que resulte de uma vontade responsável em mudar as coisas.Conversa repetida,dirão alguns.
Medidas avulsas, mesmo essas são hoje raras e parece que as coisas seguem um destino que não tem a ver com ninguém. O próprio Museu d’Arte fechou portas por ciúme ou mera subtracção de custos, pasme-se.
Entretanto recorta-se o pinhal a torto e a direito e planta-se de casario e as competências de gerir e mudar essas coisas são exclusivas da autarquia maior, sem a mínima possibilidade de os gestores locais se pronunciarem ou intervirem. No entanto, quando se fala na necessidade de inverter o ciclo negativo que fustiga o centro urbano, com a abordagem técnica que conviria, parece que a responsabilidade caberá agora exclusivamente à Junta, uma entidade sem recursos especializados, para além dos meros serviços administrativos de atendimento ao cidadão.
Delapide-se de vez o pinhal sem preconceitos ambientalistas, como o fizeram a norte da sede do concelho e construa-se uma Vila nova, moderna e com potencial de residência permanente .
Talvez o aumento de residentes com capacidade económica média/alta na zona poente da Vila, nos novos espaços habitacionais, resultasse numa mais valia que potenciasse novos investimentos em restauração e lazer na zona histórica local.
Mas esta exaltação é mera deambulação de quem vê que o tempo passa e sente a centralização a cumprir os seus efeitos e não como vontade de facto.
O próximo ano é de escolhas para um novo ciclo de gestão autárquica e pouco se vislumbra ainda no horizonte local, pois a mobilização ainda não parece ter chegado às organizações políticas, para além da mera auscultação de circunstância.
No entanto, o debate sobre a revitalização urbana do centro histórico de Fão merece um compromisso das forças, sob pena de a degradação se intensificar e a recuperação se transformar em miragem.