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O desaparecimento de Albino Campos foi a referência marcante num mês de Primavera, afectando de forma muito dura o património humano e cultural da nossa Vila, que vai definhando também nos seus íntimos recursos intelectuais.

Se o destino é inquestionavelmente dirigido para esta fractura com a vida, a expectativa de limite em relação a alguém, é muitas vezes afectada pela violenta surpresa da partida, ferindo a nossa força afectiva e a própria relação existencial.

Albino Campos leccionou oficialmente em Esposende e na Póvoa de Varzim e fez parte das emoções de muitos alunos que o viram sempre como uma referência no ensino. No momento da despedida estiveram lá, conjuntamente com muitos outros amigos.

Também como pai soube cumprir inquestionavelmente a sua missão e sabemos quanto era amigo e foi conselheiro até ao último minuto.

Não sei até que ponto ainda relembrar assim é duro emocionalmente. Sei que dói lentamente. Mais dói amargamente quando já sentimos a falta, por aquilo que nos terá privado por já não o poder fazer, sabendo nós quanto fez e como o faria.

Vai-se sentir certamente que fisicamente o seu espaço será um vazio duradouro. Mas em cada poema que lermos, em cada página dos seus textos que avançarmos, o seu espírito tranquilo e a sua alma sorridente vão estar lá, num sopro indelével de boa memória.

Albino Campos foi sempre para mim uma referência forte como homem e como intelectual, com uma atitude espiritual única, em quem sempre li a forma certa de estar na vida.

Foi muito bom ter um amigo assim e dói muito quando já não o podemos abraçar.