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A ponte Luís Filipe, que não contém qualquer registo deste nome na sua estrutura recentemente reabilitada, poderia ter exteriorizado estes dias a referência à efeméride do centenário do regicídio, em que o Príncipe Luís também perdeu a vida.
Mas enquanto as efemérides se têm centrado em figuras locais desaparecidas, que têm mobilizado um núcleo restrito de pessoas associadas emocionalmente aos visados, continua a sentir-se um vazio no contexto da animação, que atraia pessoas ao centro urbano descapitalizado de gente.
É um facto indiscutível que falta liderança e iniciativa, que envolva a autarquia e as associações. Não vão longe os tempos em que grupos de pessoas comprovavam capacidade de organização e a nossa Vila mostrava valor no panorama concelhio. Curiosamente o motor dessa acção era a vontade política de mudar as coisas e mostrar que sabiam fazer mais e melhor. Hoje essa apatia tem como causa o cansaço e a falta de ambição. Depreende-se que quem está no poder muito tempo acaba por reduzir o seu ímpeto de agir, o seu espírito de iniciativa e o cansaço de organizar invade a vida. Mesmo do mais criativo, poderá concluir-se!
Este período carnavalesco fez história no nosso burgo e foram importantes no plano da animação alguns corsos que envolveram muita gente e algum investimento. E alguns deles nada tiveram a ver com a iniciativa da autarquia, se quisermos abstrair-nos de alguma obrigação desta entidade. Eram os líderes locais, no verdadeiro sentido do termo, que planeavam e envolviam as pessoas, curiosamente ávidas destes acontecimentos, por estar no âmago do seu perfil e por reminiscências do seu passado, que os envolveram ainda em crianças, em muitas iniciativas levadas à cena pelos seus pais. Fão tem muita história na animação do seu burgo, com elevado sucesso, diga-se.
Onde param afinal os líderes actuais? Que alternativas temos e que provas nos transmitem de capacidade de iniciativa e organização? Porque se diz em parangonas que em Fão são sempre os mesmos, quando os outros afinal não aparecem? Onde para o futuro?
Quase poderá dizer-se que não será propriamente pelo valor que têm essas acções, mas pelo seu significado, para quem espera e tem esperança.
É evidente que o sucesso se reforça com engenho e acção e é notório que a nossa Vila grita por criatividade, que revitalize um centro urbano cada vez mais debilitado e amorfo, pese o valor das infra estruturas culturais, religiosas, lúdicas, sociais e de um património edificado que já não se faz. Todos percebemos que falta essa criatividade e acção. Claro que o debate é urgente, mesmo sem Carnaval!