“E BOTA O ANO VELHO FORA …”
A tradição fazia os mais miúdos correrem a nossa Vila ombreando a "carrela", que suportava o ano velho enfarruscado e magro, como convinha. Mas a tradição já não é o que era e não me apercebi de ver por estes lados esse veículo humanóide de tracção às 4, entoando com fulgor “e bota o ano velho fora…”. Curiosamente foi na cidade vizinha que fiz alguns registos entre 10 "carrelas" que se exibiram em concurso.
O ano de 2007 já lá vai fora e no seu historial sobressaem alguns acontecimentos que marcarão a história local.
As obras na ponte D. Luís afectaram alguns hábitos , para além das perdas nas economias familiares e Fão tornou-se mais distante no mapa e na mente de boa gente, que se remeteu a outros destinos de consumo.Outros ficaram mentalmente distantes. A inauguração das obras de revitalização do atravessamento do rio mereceu assim o entusiasmo dos seus utentes e a festa aqueceu com elevada participação dos fangueiros.
Também o novo Centro Desportivo de Fão ultimou a sua 1ª fase com a inauguração pomposa do Estádio, que tem merecido rasgados elogios das personalidades ligadas ao desporto rei, pela qualidade do relvado e das infraestruturas associadas, o que é relevante no desenvolvimento de um projecto desportivo de largo interesse concelhio. A 2ª etapa está em fase adiantada a nascente do recinto e na área próxima poderá evoluir um Centro de Estágio, importante no panorama do desporto nortenho e na valorização da nossa Vila.
O projecto desportivo na zona contemplará ainda um novo pavilhão, se evoluir a intenção de venda do espaço onde se encontra o actual e forçará a novas acessibilidades a curto prazo, embora já previstas nos velhos programas eleitorais.
O Centro Desportivo veio dinamizar toda aquela área e o Município comprometeu-se a construir por ali o novo Centro Escolar de Fão, o que é uma decisão muito importante tomada em 2007. Deverá localizar-se em terrenos próximos do novo Estádio, beneficiando assim das novas condições associadas à educação física dos mais pequenos, o que é uma mais valia de referência.
Do ano velho fica-nos o sensação do novo eixo de expansão para sul, com novas infra estruturas ligadas ao desporto e ao ensino, com a qualidade que normalmente nos diferencia.
Persiste no entanto a certeza de esvaziamento do casco histórico, onde galga a degradação urbana, morre lentamente o comércio, reduzem-se os residentes.
O ano de 2008 vai confirmar a concretização ou arranque de projectos acima abordados, sendo clarificados outros, nomeadamente o novo edifício da Junta de Freguesia, ainda no reino das hipóteses. Este poderá passar pela localização dos seus serviços na zona antiga de Fão, validando assim um plano de acção devidamente ponderado pela “inteligentia” local alargada, para revitalizar o centro, começando a contrariar a tendência negativa.
Mas Fão precisa de clarificar de vez alguns dos seus eixos de desenvolvimento, dentro de um plano de acção que tenha por base o estudo e o debate sério.