FÃO FLORIDO
Várias vezes tenho discutido interiormente se Fão terá o encanto que tanto me inebria.
Se a dúvida a coloco como princípio de discussão filosófica, se a aceito como a tal“dúvida metódica” tão necessária à antitese que contrarie a tese de quem tanto ama a sua terra, reconheço essa doença nobre que reside em cada fangueiro, esse bairrismo que se cola em cada pensamento, quase em cada gesto emocional.
Esse encanto maternal leva-nos a apreciar com enlevo as nossas ruas estreitinhas, o casario brasileiro, as janelinhas, os beirais tão típicos, as paredes brancas contornadas a azul ou ocre, o frade do cais firme e hirto, as varandas onde se penduram as bonitas colchas em dia de procissão, as cangostas, as vielas, os umbrais graníticos, a calçada à portuguesa, a beira rio, os largos , os pátios e os bonitos azulejos.
Recantos que encantam a nossa emoção, cenários que se repetem em cada ida ou vinda e que persistem em quem reside ou passa e que achamos sempre nossos.
Estes quadros repetidos, de pinceladas lineares, fazem-nos por vezes lembrar Óbidos, dizia há alguns anos alguém. Na Cooperativa, semanas depois, foram confirmar "in loco" com uma excursão àquela linda Vila portuguesa, procurando assim algum estímulo à alma fangueira.
Um casario branco delineado a azul e amarelos queimados, ruas estreitinhas e muitas glicínias cobrindo os muros de flores lilases, recantos floridos de vermelhos vivos, varandas e janelas de floreiras em barro com matizes diversos. Nas pequenas cangostas e esquinas semeiam-se cântaros em barro derramando bonitas flores por entre os verdes viçosos.
Casas pequenas e conservadas, artesanato, restauração, hotelaria e um património vasto utilizados na sua promoção.
Em cada janela, nas paredes, pequenos vasos enchem-se de flores, de muita cor e a cada curva as azélias e trepadeiras afagam o visitante.
Mas o país semeia-se de pequenas vilas que anualmente se enchem de cor, mais parecendo cascatas ajardinadas que procuram cativar o turista, facultando ao seu residente bem estar.
Na aldeia beiroa de Almeida as janelas enchem-se de pequenos vasos floridos, em Borba, em Aguada de Baixo, Águeda, em Proença a Nova, Estarreja, em Pombal, em Redondo, V. Nova da Barquinha, Mirandela, Nazaré, Olhão, Oliveira de Azeméis, S. Brás de Alportel, em Vizela, em Guimarães, em Braga, na Póvoa de Varzim e muitas outras localidades com perfis semelhantes onde o colorido natural se repete entre verdes.
Será que Fão, uma Vila pequena e agradável como a conhecemos, com uma mescla de coloridos em flor enfeitando ruas, janelas e varandas não teria mais encanto?
Não tenho dúvidas que os seus recantos floridos, os pátios, as varandas e janelas floridas promoveriam uma nova imagem da Vila.
E muitas são as Vilas e cidades de Portugal, para além das que citei, que anualmente promovem o seu concurso de varandas e janelas floridas .
Em Borba, por exemplo, pode ler-se no Regulamento que “ com esta iniciativa pretende-se que os moradores do centro antigo embelezem as varandas e janelas das suas casas com floreiras e plantas floridas. Assim a Vila ficará mais colorida, alegre e acolhedora para os seus habitantes e para os turistas que a visitam”.
Assim não terei dúvidas que Fão florido teria ainda mais encanto!