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PAULO SÉRGIO CAMPOS
Empresário de sucesso

Paulo Sérgio Hipólito Reis Pedrosa Campos, fangueiro de 48 anos de idade, é indubitavelmente um dos empresários mais empreendedores que o concelho conheceu nas últimas décadas, com uma notável perspicácia e grande dinamismo, com uma visão transversal sobre as diversas actividades da economia, oportunidades e um grande espírito inovador.

Um dos 9 filhos do Dr. Albino Campos e D. Cândida Reis, cedo mostrou o sentido empresarial, daí que ao contrário da maioria dos seus irmãos, cedo deixou os estudos para trabalhar, sempre na perspectiva de vir a ter o seu próprio negócio

. A vender cartão e ferro-velho em miúdo

NF- Paulo Sérgio começou cedo essa veia empresarial?
Paulo Sérgio- ”Muito jovem! Aos 14 anos já comprava e vendia, organizava festas e até negociava cartão e ferro-velho.”

NF- Mas não chegaste a tentar tirar um curso, o que com certeza seria vontade de teus pais?
Paulo Sérgio- ”É verdade que sim, mas isso foi depois do serviço militar. Quando me inscrevi no ISEF (Instituto Superior de educação Física), mas ao 2º ano cheguei à conclusão que não tinha perfil para professor. Antes disso trabalhei no bingo da Póvoa de Varzim, tendo sido o primeiro homem a vendar cartões, com o intuito de mais tarde vir abrir o bingo no Hotel de Ofir, que na época também pertencia à Sopete. Como não se concretizou a vinda do bingo para Fão, isso acabou por ficar sem efeito. Mais tarde acabei por ir trabalhar para a Impetus, em 1983, onde estive durante 10 anos, tendo passado por várias funções, até chegar a director do Planeamento da Produção, sendo um homem da confiança do Alberto Figueiredo.“.

Sócio da Brochado & Ferreira e nascimento da Forbody

NF- Então como surge a oportunidade de criares a tua própria empresa?
Paulo Sérgio- ”Ainda estava na Impetus quando abri a “Brochado & Ferreira” com outros sócios, uma pequena fábrica de vestuário com 5 empregados situada em Fão, que trabalhava em subcontrato com a Impetus e outra fábrica. Em 1993, depois de ter comprado as quotas dos outros sócios, saí da Impetus e então decidi apostar na exportação, tendo conseguido vários contratos com o estrangeiro e aí era preciso criar outro espaço e outras condições - foi o nascimento da Forbody.”

NF- Como, com quem e com que meios montaste a Forbody?
Paulo Sérgio- ”Não foi nada fácil, eu em sociedade com meu irmão e meu cunhado, para nos instalarmos no lugar do Bouro em Góios, tivemos de fazer um investimento de 10 milhões de euros e como os espaços vizinhos já estavam ocupados, tivemos de os adquirir por valores mais elevados.”

NF- Qual foi a altura de maior apogeu na confecção têxtil e consequentemente na vida da Forbody?
Paulo Sérgio- ”Nos finais de 90 chegamos a facturar 8 ou 9 milhões de euros, com 200 pessoas a trabalhar directamente connosco e mais 400 de forma indirecta, chegando aos 2000 até 2003.”

NF- Quais as principais razões do vosso sucesso?
Paulo Sérgio- ”Sem dúvida que teve a ver com a antecipação em investir em novas tecnologias, adiantando-nos a muitas empresas, sempre com olhos para o futuro. Não enveredamos no entusiasmo de muitos que foram vivendo dos subsídios, mas sim crescendo de forma controlada e sustentada.”

NF- A criação de marca própria e abertura ao comércio não terão tido o sucesso esperado?
Paulo Sérgio- ”A criação da marca própria foi uma experiência importante em que fizemos um investimento de 4.000.000 de euros. A abertura das lojas que chegaram a ser 11, não teve sucesso porque não foi o “timing” certo, já que coincidiu com o início da crise mundial e com reflexos nos consumidores. Tivemos então de fechar quase todas as lojas tendo ficado apenas com a de Esposende.”

A Forbody aguentou a crise e agora recomenda-se

NF- É verdade que a Forbody passou um mau bocado? Qual é a situação actual da empresa?
Paulo Sérgio- ”É verdade que sim, mas com alguns ajustamentos, muita contenção, corte de regalias, principalmente nos quadros superiores e sem recorrer a despedimentos, conseguimos aguentar os difíceis dois últimos anos. Actualmente a recuperação é significativa e a Forbody está em plena ascensão e recomenda-se. Voltamos a apostar na exportação, nos têxteis técnicos e equipamento para outras indústrias. Os nossos principais clientes situam-se na Europa do norte e centro, como Alemanha, Suíça, Inglaterra e Finlândia. 20% do nosso volume de negócios é dedicado à moda, que está a recuperar mercado a olhos vistos, com vários novos clientes.
Com a quebra das quotas do mercado em 2005 obrigou a uma reestruturação em 3 anos. Há 2 anos tivemos uma nova aposta no sector comercial especializado para as zonas da Escandinávia e que tem sido muito proveitoso. ”


NF- No entanto, foste avançando para outras empresas…
Paulo Sérgio- ”Sim, ainda nos têxteis, criamos a “Polos & Polos”, uma empresa só de confecção, que trabalha exclusivamente para a Forbody, equipada com tecnologia de ponta e 40 funcionários e que já não dão vazão a tanto trabalho. Por exemplo, posso-te dizer que recentemente pedimos costureiras no Centro de Emprego e só conseguimos arranjar uma, apesar de haver muitos desempregados no sector. No nosso país cada vez mais as pessoas não querem este tipo de trabalhos que são logicamente duros. Por isso, é normal que os empresários tenham que importar mão-de-obra, embora isso ainda não tenha acontecido nas minhas empresas, pois apenas temos uma ucraniana.”

O Pé no Rio, um investimento de 2 milhões de euros

NF- Então surgiu esta aposta na restauração, com o Pé no Rio, que pode-se dizer ter sido uma grande aventura. O investimento nesta área da restauração ou mesmo hotelaria, já andava nas tuas cogitações há muito?
Paulo Sérgio- ”Realmente foi uma grande aventura, a “Sabores de Verão” inicialmente com uma sociedade, mas pouco depois acabei por ficar como administrador único. O investimento foi enorme, pois embora seja uma concessão de 20 anos, apenas lá tinha a sapata em betão. Por isso não apareceram mais concorrentes e para um cálculo inicial de 250/300 mil euros para a sua montagem, o certo é que acabamos por gastar 2 milhões.
Também é certo que eu já há algum tempo andava a pensar em investir na hotelaria e tentei adquirir a Estalagem Parque do Rio, mas não cheguei a acordo com os seus proprietários. No entanto, é um tipo de negócio que nunca descartei.”







NF- Para além disso, penso que terão aparecido outras dificuldades…
Paulo Sérgio- Algumas sim, principalmente com a ASAE, pois foi numa altura em que houve uma grande fiscalização às casas de restauração junto à praias, mas de resto e a nível de burocracias, como o espaço era propriedade da Câmara, isso facilitou.”

Sabores de Verão mudou a face de Esposende

NF- No entanto, tens consciência, que este empreendimento ajudou a dar outro movimento e dinamismo à cidade?
Paulo Sérgio- ”O Pé no Rio, pela sua grande qualidade e diversidade de oferta e eventos tinha de se afirmar por si só e claro, embora não tenha pensado nisso, o certo é que ajudou a mudar a face a Esposende.”

NF- Sentes que por tudo isso, mais os vários postos de trabalho e ainda o benefício indirecto de outros espaços envolventes, és reconhecido e respeitado?
Paulo Sérgio- ”Acho que sim, por parte da população em geral, pois antes disto Esposende era uma terra deserta a partir 8/9 da noite e ao fim-de-semana e agora o número de visitantes aumentou consideravelmente por nossa causa, somando a isso os 40 postos de trabalho que criamos, com mais 20 no verão e ainda o negócio que geramos aos fornecedores locais. No entanto, por parte das entidades não penso o mesmo, pois não nos é reconhecida a utilidade e grande promoção turística que fazemos. Dou-te como um dos vários exemplos, uma proibição que tivemos num evento em que tivemos uma exposição de carros “BMW”. Nas nossas condições no contrato falava da própria promoção de eventos e acabamos por sofrer bloqueios. “

NF- Tanto investimento, será que vai demorar a ter o respectivo retorno? E o negócio é vincadamente sazonal?




Paulo Sérgio- ”Sim, sim a sazonalidade é evidente entre Maio e Setembro, baixando bastante no inverno, como é lógico, na nossa região.
A rentabilidade está a ser muito boa e penso que em cerca de mais ano e meio, teremos o retorno completo do investimento feito. “
NF- Nesta área podemos pensar que vais fazer mais algum investimento?
Paulo Sérgio- ”Sim, temos algo planeado para abrir em breve ligado à restauração, mas ainda estamos em fase de acertos e negociações.”

Devolver o Jornal de Esposende ao concelho e só pelo nome custou 35 mil euros

NF- Abre-se então mais uma porta, que é a comunicação social, logo com a aquisição do Jornal de Esposende, há menos de um ano. Como e porquê?
Paulo Sérgio- ”Surgiu a partir de uma conversa informal e foi uma oportunidade de trazer de volta o Jornal de Esposende para cá pois tinha sido adquirido pelo “Póvoa Semanário”, a quem compramos o alvará por 35.000 euros, sem qualquer apoio institucional.”

NF- Contudo é distribuído gratuitamente, a publicidade paga os seus custos?
Paulo Sérgio- ”Estar a vendê-lo por 70 ou 80 cêntimos, não dava lucro, nem tinha tanta visibilidade e como sabemos, já temos vários jornais gratuitos no nosso país e dão resultado através da publicidade inserida. Claro que o prejuízo nos primeiros 5 meses foi evidente, mas agora paga-se a si próprio e o aumento de páginas tem sido significativo. O jornal apesar de não ser um negócio em si, as sinergias com o Pé no Rio foi uma aposta de marketing e satisfaz-me muito pois é também um elemento divulgador do comércio local, pela grande campanha que fazemos aos consumidores.”






NF- E a contratação do Paulo Gonçalves, terá sido com certeza uma mais valia
Paulo Sérgio- ” O Paulo já estava ligado ao jornal, é um bom jornalista e está por dentro de tudo o que se passa no concelho.”

NF- Não achas que o jornal poderá ter sido visto como uma possível “arma” de arremesso, pelos meios políticos e no caso concreto da própria autarquia, com quem se reconhecem alguns desentendimentos ?

Dar voz a todos parece ter incomodado o poder

Paulo Sérgio- ”Não foi essa a nossa intenção, eu nunca fui um político e nele tentamos dar a voz a todos os quadrantes e cores políticas. Todos foram convidados, embora actualmente não somos bem vistos pelo poder instalado, que nos faz um bloqueio total de informação.”

NF- Mas haverá alguma razão especial para haver este virar de costas do actual Presidente da Câmara? Ou terá sido mesmo por aquelas sondagens antes das eleições autárquicas?
Paulo Sérgio- ”Custa-me a crer, ele até foi das primeiras pessoas a ser entrevistado, mas talvez por darmos voz aos outros, não tenha sido do seu agrado. Ora nós não somos um jornal do PSD, mas de todos os esposendenses e assim queremos continuar a ser. A comunicação social é mal vista pelo poder e mesmo a nível nacional vê-se uma vontade nítida de a tentar dominar e retaliar quando alguma notícia ou opinião de alguns entrevistados não lhes agrade. Para sermos independentes devemos dar voz a toda a gente.”






NF- O Jornal de Esposende poderá aparecer com uma periodicidade mais curta?

Paulo Sérgio- ”Sim, é nossa intenção que ele passe a semanário e já o temos disponível para todo o mundo, através da Esposende TV, onde todos os números são colocados em PDF. O Jornal é um complemento da própria televisão via net e como ela, faz parte da “Informédia”, a empresa que os administra.”

A Esposende TV e tentativa de comprar a rádio local

NF- Surge então a televisão via internet, já era uma ideia pensada ou surgiu do acaso? E já agora é verdade que tentaste a compra da rádio local?
Paulo Sérgio- ”A partir da compra do jornal, era imperativo que teria de investir noutros meios de comunicação. Eu já conhecia algumas estações temáticas e regionais, mas a oportunidade surgiu de um momento para o outro, através de uma conversa com um amigo. É verdade que falei com as pessoas da rádio, já que alguém me ventilou que estaria à venda, tal como eu próprio poderia vender qualquer uma das minhas empresas, o mercado actual não tem barreiras. Houve uma abordagem, mas logo me informaram que a rádio não estava à venda e nem sequer se chegou a falar de verbas. Então resolvemos apostar logo na televisão via net, num investimento a médio/longo prazo, para entrarmos na TV por cabo.”































NF- Foi entretanto feito também aqui um grande investimento e porquê os estúdios em Fão, quando ao que afirmaste noutra entrevista o tentaste fazer em Esposende? O espaço será suficiente?
Paulo Sérgio- ”Posso te dizer que foi um investimento incrível, ao rondar os 500 mil euros. É verdade que tinha uma casa negociada em Esposende, que já estava à venda há 2 anos, mas subitamente o proprietário, que já tinha tudo assente connosco, veio me dizer que a casa seria para a Câmara e lhe disseram para não me vender. Claro, que vi isto como mais uma retaliação por parte da Autarquia e então aproveitei a casa que tinha junto ao Bom Jesus, para a adaptar para estúdios e sede da Esposende TV. Tive de fazer algumas obras e por outro lado também fiquei satisfeito por assentar arraiais na minha terra. Para já o espaço é suficiente, mas no futuro terá de ser feito um edifício de raiz para o efeito. “

Mais de 2 milhões viram a Esposende TV em apenas 2 meses

NF- Em teu entender achas que este projecto deveria ser apoiado pela autarquia?
Paulo Sérgio- ”Isto é um serviço público, que leva Esposende a todas as partes do mundo e a todos os esposendenses, divulgando e promovendo o concelho de forma inequívoca e transcendente. Posso te dizer que outras câmaras, nos receberam de braços abertos e ofereceram-nos todo o seu apoio caso quiséssemos operar por lá.. A Esposende TV, é uma grande fonte de informação e a própria Câmara é a primeira a não nos enviar informações das suas actividades e depois temos a proibição das filmagens da Assembleia Municipal, que foi inicialmente autorizada, como uma grande prova de toda esta má vontade e retaliação. Para além disso, nós criamos postos de trabalho e no contexto actual, somos dos que vão remando contra a maré, pois o desemprego no concelho tem aumentado a olhos vistos, pelo que deveríamos ser mais acarinhados. E a prova da importância da Esposende TV, é que em 2 meses teve um impacto fabuloso, ao atingir 2 milhões de visitantes. Por outro lado, devo afirmar que o senhor Presidente da Câmara foi o primeiro a ser convidado para entrevista e foi o único político que não veio à nossa inauguração. Ainda hoje ele é convidado, mas não recebemos qualquer resposta sua. Mesmo na importante questão das portagens da A28, em que os presidentes das Câmaras de Viana, Póvoa e Vila do Conde falaram á Esposende TV, ele se escusou e Esposende não teve voz.”

Sem apoios vamos fechar o canal e mais tarde para a difusão por cabo

NF- Ainda sem publicidade, como fazer face a tantas despesas?
Paulo Sérgio- ”A publicidade irá arrancar em Janeiro, até porque ainda estamos a receber algum equipamento técnico, pois vem do Japão e dos Estados Unidos. Mas entretanto iremos fechar o canal, que terá de ser pago pelos utentes, talvez uns 4 ou 5 euros mensais.”

NF- Quantas pessoas constituem a equipa que faz a Esposende TV e quais os próximos passos e aplicações?
Paulo Sérgio- ”A equipa actualmente é constituída por 12 pessoas. Já arrancamos com uma grelha de programas no horário dito “nobre” (21-24 horas), sendo o resto do dia e da noite composto por reposições, até porque os horários são diferentes nos vários pontos do globo onde somos vistos. Para 2010 teremos mais ideias e novidades para implementar, como na parte do rádio via net, que para já só tem música privilegiando cada vez mais a música portuguesa, passará a disponibilizar um serviço de mensagens e partilha de fotos, como se fosse um pequeno “Hi5”. A rádio nunca será vista como um negócio comercial, não é esse o nosso objectivo, nem queremos concorrer com ninguém nesse sector. Pensaremos talvez em editar uma revista associada à TV e fazermos serviços para terceiros noutras áreas como a publicidade e promoção comercial ou de eventos. O nosso projecto será no futuro sermos difundidos por cabo, quando tivermos todas as condições técnicas para isso.”






O Clube de Futebol de Fão, a sua projecção aos nacionais e o novo estádio

NF- Teremos imperativamente que falar no futebol, onde também investiste muito e de ti próprio. Este mal estar com o Presidente da Câmara, terá a ver com as divergências em relação ao Estádio do CF Fão?
Paulo Sérgio-Tem sempre a ver com isso, pois como se sabe eu saí da direcção do clube por causa desses desentendimentos como ele. Eu nunca falei abertamente nisso, nem este é o momento apropriado para isso. Talvez mais tarde, quem sabe?”

NF- Filho do presidente fundador e atleta do clube, portanto com fortes ligações ao CF de Fão, decidiste um dia tomar as “rédeas” dos seus destinos. Conta-nos como foi.
Paulo Sérgio- ”Estávamos em 1997 e eu precisava naquele tempo de arranjar um “hobby” fora do mundo empresarial e como disseste as ligações pessoais e familiares ao clube eram muito fortes. Eu entrei com uma determinação de projectar o clube no futuro que em 50 anos nunca conseguira atingir os campeonatos nacionais, como outros nossos vizinhos e precisava de um campo novo com outras condições. E isso foi conseguido, mais rápido o sucesso desportivo e mais lento o projecto do estádio, que sofreu alguns contratempos, que são do conhecimento geral. Ora tudo isto teve muitos custos, mas deu-me uma enorme satisfação como fangueiro e como sócio do clube, levá-lo pela primeira vez aos nacionais. “

NF- No entanto, aquele primeiro embargo, não terá prejudicado o projecto, pela eventual perda de valor do Campo Artur Sobral e do inflacionamento da construção do novo estádio?
Paulo Sérgio- ” De certa forma sim, o processo foi complicado no início e com muita luta conseguimos chegar a “bom porto”, mas a venda do campo velho acabou por ser um bom negócio, pois se fosse hoje valeria muito menos. “

A crise e influência exteriores ajudaram a “tirar o tapete” ao CF Fão

NF- No entanto, algo terá falhado em todo o projecto, já que em dada altura era anunciado que o estádio será transformado num centro de estágios municipal, tendo depois havido um retrocesso de intenções e depois a própria Autarquia a falar nesse projecto para a sede do concelho. Ora como consequência disso fala-se em verbas que deixaram de ser assumidas, referente a parte das obras no novo estádio. O que há de verdade nisto?
Paulo Sérgio- “O projecto do estádio tinha todo o aval e alguns apoios prometidos pela Câmara, numa obra em que houve um entusiasmo mútuo. Mas a autarquia acabou por “tirar o tapete”, fruto da crise económica e algumas influências de outros sectores que causou esse retrocesso. O projecto inicial só contemplava o estádio em si, mas depois faltavam muitas infra-estruturas como os muros, a vedação, o parque, os acessos, a electricidade e o saneamento, ou seja o estádio ficaria à frente como está na parte de trás. Houve claramente aqui um erro de cálculo. Por isso a 2ª fase são promessas em que não acredito. O clube está agora com dificuldades, está a sofrer por ter embalado em palavras vãs. Claro que nisto eu também me sinto responsável e tenho assumido isso, até porque sou o único avalista de algumas dívidas.”




NF- Foste no entanto um dos maiores patrocinadores do clube, isto continua a verificar-se? E a tua saída dos cargos directivos, foi por desilusão com os fangueiros como chegaste a dar a perceber ou uma forma de mostrares a tua insatisfação perante o poder autárquico?
Paulo Sérgio- ”Mais como forma de mostrar a minha desilusão. De resto, continuo a ajudar e apoiar o clube, tentando colaborar com a sua direcção o melhor possível. Foi essencialmente pela segunda razão que apontaste que o fiz.”

NF- A propósito do acto eleitoral, que pensas na vitória categórica de João Cepa e da derrota do José Artur em Fão?
Paulo Sérgio- ” Eu sou crítico independente, embora de fortes raízes PSD, mas penso que a vitória do João Cepa se deve pela eventual falta de alternativas. No caso do Zé Artur, acho que ele foi fortemente penalizado pelos amantes do futebol, pelo seu pouco poder reivindicativo e alguma inoperância nos últimos 8 anos.”

Uma fundação de solidariedade social vai ser o meu legado à comunidade

NF- Sei e já me falaste disso em tempos, que era tua intenção criar uma Fundação de solidariedade social. Por porquê e para quando?
Paulo Sérgio- ”Sim, esse é um dos meus objectivos, criar em Fão uma instituição de solidariedade para os mais carenciados, com apoios privados. Pode acontecer já em 2010, depois de estabilizar as minhas empresas. Este deverá ser um dos meus últimos projectos, um legado que tentarei deixar à nossa sociedade.
Esta fundação será uma congregação de esforços que contará à partida com o apoio das nossas empresas e nossos fornecedores, que incidirá na ajuda alimentar e vestuário para pessoas carentes, que poderá no futuro trabalhar com outros organismos como a Cruz Vermelha ou a UNICEF.”


NF- Que tipo de pessoa é o Paulo Sérgio Campos? És capaz de o sintetizar?
Paulo Sérgio- Posso não parecer, mas eu sou uma pessoa simples e afável, que gosta de conversar com toda a gente, independentemente do seu estrato social, credo ou convicções. Gosto de ajudar os outros e a sociedade em geral, a maior parte das vezes de forma anónima. Considero-me um empresário com algum dinamismo. Com vontade de criar novas empresas, gerar mais emprego e aproveitar novas oportunidades. Espero não ser reconhecido só depois da minha morte e como muitos só nessa altura ouvir elogios. Só me entristece não ser reconhecido pelo poder local, que pelo contrário me tem criado alguns entraves, logo eu que sou das maiores forças empregadoras do concelho, creio que mesmo o maior empregador privado.”

A importância de ter a família por perto e envolvida nas empresas

NF- Na política, foste ou irás alguma vez ser seduzido a participar activamente? E achas se chegaste a ser visto como um eventual concorrente?
Paulo Sérgio- ”Isso é uma área que nunca ambicionei ou me senti vocacionado, não me revejo nesse papel, nem com disponibilidade. Sempre tive e tenho outras prioridades, nas quais pude e posso fazer muito mais pelo concelho. No entanto, já fui convidado por quase todos os partidos, inclusive pelo próprio João Cepa.
Não sei se sou visto como concorrente mas se alguém o pensa está redondamente enganado. Nem tenho essa ambição e não me quero privar da minha independência. Claro que na política acontece muitas vezes, que “as pessoas que não são por nós, são contra nós” e é o que está a acontecer comigo. Só por tentar dar voz a todos no nosso jornal e na Esposende TV. “


NF- Diz-nos qual a importância e influência da família no teu percurso de vida, como aconteceu com o teu pai no futebol e se eles de certa maneira colaboraram, mesmo em situações de te ajudarem a “travar” nalguns projectos.
Paulo Sérgio- ”Como sabes eu tenho estado envolvido nalguns negócios com familiares e isso tem sido muito importante, mesmo nesse factor que referes de “travar” alguns entusiasmos, pois eu por vezes acelerei demais e eles ajudaram-me muito.”

NF Quando deixaste o futebol estavas a pensar ter mais algum tempo para a família, no entanto com mais estes novos projectos isso não deverá ter sido tão exequível…
Paulo Sérgio- ”Verdade que não, mas como se sabe eu passei também uma fase complicada da minha vida pessoal e familiar, mas agora as coisas estão mais estabilizadas e o facto de ter pessoas de família perto de mim nos negócios isso ajuda a compreender e conviver com isso, tornando-se uma ajuda mútua. Quem me conhece sabe que tem que viver assim comigo e por outro lado dá-me maior confiança ter os familiares comigo nos negócio e quando ela falta, sinto uma enorme revolta.”

NF- Gostarias de deixar uma mensagem final a todos os nossos leitores e aos esposendenses em geral?
Paulo Sérgio- Gostava que todos me vissem simplesmente como um empresário que tenta fazer o seu melhor, de forma a ajudar a que este concelho tenha mais e melhores oportunidades, mais actividades e empregos. Gostava que este novo projecto da Esposende TV se afirmasse, contando para isso com a ajuda de todos, pois ele é para todos e todos terão voz, enquanto nos deixarem e até onde nos deixarem, convencido que o nome e o prestígio do concelho não terá limites no tempo, nem no espaço.”

Esta é talvez das nossas mais longas entrevistas, curiosamente feita num curto espaço de tempo e sempre com o telefone do empresário a tocar. Foi também das mais ansiadas e justificadas, com um homem que apesar de algum desalento por certas questões que relatamos, mostra um grande dinamismo, motivação e entusiasmo nos seus projectos, sendo daqueles que mais tem prestigiado o nome de Fão e com obra feita que, irá com certeza, para além de várias gerações.

Jose Belo
josebelo@novofangueiro.com

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