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Crónicas do Zé:
"Requisição da capela da Senhora da Bonança para posto da Guarda Fiscal"

Cerca de dez anos depois de Fão ter ficado integrado no concelho de Esposende, em Abril de 1845, o Presidente da Câmara enviou um ofício aos responsáveis pela Confraria da Senhora da Bonança, informando que o Director da Alfândega de Esposende lhe havia requerido "uma casa na costa do mar, no distrito da freguesia de Fão, para nela se estabelecer por algum tempo uma GUARDA para aí serem fiscalizados os direitos da Fazenda Nacional".

Ciente de que não havia meios para construir um edifício de raiz para os fins desejados, o Presidente da Câmara, por achar que a Capela da Senhora da Bonança servia às mil maravilhas, não só por se encontrar em bom estado, mas principalmente por estar bem situada para o efeito, requisitou-a e, de uma penada exigiu que «a chave da mesma Capela, com um inventário em duplicado das alfaias e do que dentro dela se achasse», lhe fossem entregues, para posteriormente serem devolvidos.

A requisição avisava ainda os responsáveis da Capela, para que no dia seguinte a tivessem já preparada para receber os guardas e que a respetiva chave e inventário deveriam ser entregues, logo pela manhã. Tais ordens foram enviadas em 12 de Abril ao Presidente da Junta de Paróquia, que depois de as ler, deu conhecimento delas aos Administradores da Confraria da Senhora da Bonança. Talvez por temer a reação dos fangueiros o Presidente da Câmara, antecipou-se e deslocou-se a Fão para parlamentar com eles. Houve reuniões entre a Junta e a Confraria, certamente com o conhecimento e até intervenção pessoal do Presidente da Câmara.

A reacção ao pedido foi de total oposição e causou grande discussão e algum alvoroço; todavia, chegaram a um acordo que passava pelo arranjo da Casa do Facho, ao lado da Capela, havendo sugestões para que o restauro fosse suportado por verbas do Real da Areia, cuja receita era exclusivamente destinada a custear as despesas com sebes, paliçadas, trabalhos de remoção e construção de muros para a impedir que as areias soterrassem casas e campos, como nos séculos XIII e XIV. Os próprios membros da Confraria, se disponibilizaram para contribuir individualmente, caso necessário, para a alternativa encontrada Aparentemente, o assunto morrera ali.

Porém, e porque os acordos não passaram de conversas informais, a Junta de Paróquia resolveu enviar a sua posição definitiva por escrito, em oficio datado do dia 16, dando conta das suas resoluções, facto que não terá agradado ao Presidente da Câmara que reagiu de imediato e na resposta teceu algumas considerações, que deixam antever que, apesar do seu recuo e da solução encontrada de comum acordo, continuava a reinar a confusão…O Presidente da Câmara rejeita que tivesse dado como adquirido que dinheiro do Real da Areia necessário às obras, seria por si mandado disponibilizar, e que, se a Confraria e a Junta o assim o quisessem, deviam ser eles a solicitá-lo. Por isso, logo no dia seguinte, 17, respondeu à Junta de Paróquia de Fão, através do ofcº nº 66, nos seguintes termos:
«Ilmºs. Senhores – Acuso a recepção do ofício de Vªs. Srªs. com data de ontem.
Sobre o seu conteúdo, não posso deixar de dizer a Vªs Srªs. que, com muito sentimento vejo que num negócio tão simples e findo logo que principiou , tenha dado tanta ocasião a interpretações e co-discursos e correspondências bem alheias da razão, quando esta se não preocupa de voluntárias antecipações.

Em meu ofício nº 59 de 12 do corrente, requisitei aos Administradores da Confraria da Senhora da Bonança, a Capela onde se venera a Santa Imagem desta Senhora, para os fins que declarei no meu ofício e ponderando-me vocalmente os inconvenientes que tinham para satisfazer a minha requisição, logo também vocalmente lhes respondi que desistia dela e que ficassem descansados que a Capela não serviria para o que a tinha requisitado.

Aqui parece ter findo esta questão, enquanto a mim. Tudo o mais que Vªs. Srªs. me relatam em aquele ofício, é muito alheio da minha requisição oficial e suposto eu dissesse àqueles Administradores que vissem se arranjavam o conserto da Casa do Facho para ali abrigar uma Guarda ou Ronda , contudo, foi porque os mesmos Administradores a isso se ofereceram e até em ofício do mesmo dia 12, se prestavam a concorrer com uma esmola para este conserto.

Eu não sei o sentido em que Vªs. Srªs. Oficiaram ao presidente da Câmara Municipal deste Concelho, para consentir que do Real da Areia se fizessem as despesas daquele conserto e por isso, não sei se ligaram essa requisição com a que fiz aos Administradores daquela Confraria, mas se, com efeito, a ligaram, eu exijo de Vªs. Srªs. me façam a mercê de reclamar essa ligação , para que aquele presidente fique certo que eu nela não tive parte e isto a fim de ficar desvanecido qualquer mau conceito que daí possa ter nascido. Espero resposta de Vªs. Srªs.».

Com confusão ou não, o certo é que na Capela da Senhora da Bonança é que a Guarda Fiscal não assentou arraiais. E se a Casa do Facho, há 172 anos só precisava de alguns melhoramentos, é porque ainda estava em razoáveis condições de funcionamento, o que prova que teria tido utilidade até próximo daquela data. Como não era um “facho” naquela altura, terá sido a tal Cadeia de que a tradição fala?

Ter-se ia a GF mantido ali, até à construção do novo posto na praia, no sítio que se veio a chamar Ofir?
Um dia qualquer saber-se-á tudo direitinho!

Para a História de Fão,por José Felgueiras

Manuel Vieira
nevieira@novofangueiro.com

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