Procurar  
























Registe-se no nosso WebSite

Nome
 
País/Localidade
 
Email
 

Em destaque: Sofia Ferreira, uma cidadã do mundo

Jovem fangueira está a terminar o doutoramento na Dinamarca
Sofia Ferreira, aos 27 anos já fez a sua licenciatura em Biologia Marinha em Faro, o mestrado na Noruega, fez investigação em Lisboa e Inglaterra e há 3 anos que, depois de ter ganho uma bolsa, está a fazer o doutoramento em Copenhaga, capital da Dinamarca.

Sofia Ferreira (Estudante em Biologia Marinha na Dinamarca)

Aos 27 anos, esta jovem fangueira, deixou-se levar pela sua paixão pelo mar, que a fez seguir os estudos em Biologia Marinha, partindo muito cedo da sua terra para o Algarve onde fez a sua Licenciatura, passando depois pela Noruega, onde fez o Mestrado, Inglaterra, numa experiência como voluntária na investigação, Lisboa onde trabalhou na condição de “bolseira de mestre” no IPIMAR com o Oceanário e Dinamarca, onde está a concluir o seu doutoramento, graças a uma bolsa que lhe foi atribuída. Esta filha do Zé António “Chapinhas” e da Ana Maria, é com certeza, uma cidadã do mundo, que para si não tem, nem nunca terá fronteiras, desde que possa alimentar os seus projectos e fazer o que sabe e o que gosta, seja em que continente for.


A influência dos passeios pela praia com o avô João
Novo Fangueiro- Nascida numa terra rodeada de rio e mar, como surgiu essa influência pelos estudos marítimos?

Sofia Ferreira- ”Em pequenina ia muitas vezes com o meu avô até à nossa praia de Ofir e creio que cedo ganhei uma certa empatia pelo mar e pela espécies marinhas, daí que quando terminei o ensino secundário, me inscrevi em Biologia Marinha como única opção para o ensino superior, quando poderia ter escolhido mais 5 opções alternativas.”

NF- Tão jovem foste logo para o extremo do pai…?
Sara Ferreira- ”É verdade. Mas este curso apenas havia em Faro e nos Açores e assim lá parti para Faro em 2004, onde estive até 2008 até concluir a licenciatura, tendo ficado por mais um ano para concluir uma pós-graduação especializada em Pescas e Aquacultura.”.”


NF- De Faro para a Noruega, um país distante, clima, língua, costumes e vida social bem diferente da nossa?

Sofia Ferreira- ”Sim, fui nesse mesmo ano de 2008, para Bergen para fazer o meu Mestrado em Biologia e Gestão Pesqueira. Estive aí dois anos, mas a minha vida era maioritariamente passada entre a Universidade e a residência dos estudantes, onde tinha jovens dos mais variados países, pelo que os inglês era a língua que usávamos entre nós. Realmente a forma de vida naquele país nórdico é bem diferente do nosso a todos os níveis. Logo à partida, é um povo bem mais frio, de poucas palavras e pouco comunicativos. Socialmente é um país que um excelente nível de vida, pois e apesar de tudo ser mais caro com nosso país (talvez o dobro), os vencimentos em média são 4 vezes mais. Seja como for, não tive grandes problemas em me adaptar, até porque a minha vida era mais voltada para os estudos e não haviam muitos recursos para sair disso.”

NF- E depois veio a Inglaterra…
Sofia Ferreira- ”Foi um período bem mais curto pois só estive 4 meses, na cidade de Plymouth. Tratou-se de uma investigação voluntária sobre o efeito da acidificação dos oceanos no caranguejo-comum, que durou 4 meses. Talvez fosse mais fácil o tipo de vida britânico, pois a língua já não era um grande entrave, no entanto como não era renumerada, não deu para sair muito do círculo de trabalho/estudo, tendo aproveitado a boa experiência profissional.”

NF- De regresso a Portugal, mas agora a trabalhar…
Sofia Ferreira- ” Foi em 2011 que surgiu a oportunidade de trabalhar num projecto da Universidade de Lisboa, com a colaboração do Instituto das Pescas (IPIMAR) com o Oceanário, como “bolseira de mestre”, que incidia sobre as larvas de sardinhas, mas sempre com o doutoramento no horizonte. “

NF- E a oportunidade surge para a Dinamarca
Sofia Ferreira- ”Foi nesse mesmo ano de 2011, que ganhei a bolsa de doutoramento, uma oportunidade que não podia desperdiçar e me fez levar a Copenhaga, onde ainda me encontro. Espero concluir o meu doutoramento em Outubro deste ano.”


NF- Sendo também um país escandinavo é muito diferente de viver na Noruega? E sentiste alguma vez alguma espécie de desprezo pelos estrangeiros ou particularmente os portugueses?
Sofia Ferreira- ”Sim, é um pouco diferente. Os dinamarqueses é como se fossem os latinos da Escandinávia. Um povo bem mais aberto e alegre, que já gosta de conviver e cultiva, por exemplo, a ida ao café (se bem que não tanto como nós). Nunca senti qualquer espécie de marginalização e nós, os portugueses, somos respeitados, embora menos conhecidos como por exemplo os espanhóis, que andam em maior número por todo o lado. Apesar de quase toda a gente falar inglês, há sempre algum desconforto quando estamos num meio em que apenas se fala a própria língua natal, mas pode-se dizer que isso é normal e somos acolhidos. Uma coisa é certa, nestes países as pessoas são essencialmente valorizadas pelo que valem e não pelo “amiguismo” ou a “cunha”, isso nestes países se existe não é de todo visível. ”

NF- Em que se baseia a tua tese de doutoramento?
Sofia Ferreira- ”O meu trabalho incide sobre o bloom de fitoplâncton no crescimento e desenvolvimento dos peixes e suas localizações com imagens de satélite.”

NF- No final do curso tens uma área ou um destino onde quisesses trabalhar, eventualmente no nosso país, que tem o mar como vizinho nato?
Sofia Ferreira- ”Quero essencialmente trabalhar em investigação. Seja em que país ou continente for, no entanto, tenho noção que em Portugal não será fácil, pois há muitas limitações nesta área e o investigador não tem os recursos essenciais ao seu trabalho.”

NF- Tantos anos afastada de casa e da terra, como mitigas as saudades?
Sofia Ferreira- ”A distância e os custos das viagens não facilitam vir muitas vezes a Fão, isso acontece quase só no Natal ou nalgum evento especial, como foi o casamento da minha irmã Maria João, com quem mantenho um maior contacto através da redes sociais.”

NF- E quando cá vens o que procuras essencialmente?
Sofia Ferreira- ”A família em primeiro lugar, sem dúvida. Mas gosto muito de ir ver a praia e o mar…é uma relação muito forte de que não me consigo dissociar “


NF- A tua visita coincidiu com uma altura em que o mar se tem mostrado muito agitado e atacado fortemente a zona dunar e algumas construções. Como vez esta questão e também se tens noção da extinção de muitas espécies da nossa fauna marinha?
Sofia Ferreira-.” Qualquer pessoa minimamente informada e a par destas questões do assoreamento e do avanço do mar, tem noção que isto é normal que aconteça, devido a diversos fatores. O aquecimento do planeta e consequente degelo, a influência do homem nas obras que tem feito ao longo da costa e as grandes alterações climatéricas são as principais razões, e como eu, muitos já estavam à espera que isto acontecesse. É pena perdermos tanto areal na nossa bela Praia de Ofir, mas a natureza é peremptória. Não temos dúvidas que também essas razões levam a outras consequências, como o desaparecimento de várias espécies ou porque emigram ou simplesmente desaparecemse extinguem,se aplicam um pouco ao desaparecimento de várias espécies ou porque emigram ou simplesmente se extinguem, face a tantos atentados e alterações do clima e das correntes marítimas.”

NF- Que mensagem deixarias a outros jovens estudantes os profissionais que eventualmente tenham de partir para longe do seu país, nesta nova e evidente vaga de emigração?
Sofia- ”Sabemos que não é fácil sair de casa e da terra natal, mas realmente estamos num mundo cada vez mais global e temos de agarrar as oportunidades, estejam elas onde estiverem. O importante é que se "saibam vender", começando por se valorizarem o mais possível, tenham auto estima e acreditem em si e nos seus projectos.”


Esta jovem fangueira, da qual apenas nos lembramos levemente em criança, partiu por esse mundo fora, como muitos outros jovens portugueses e particularmente da nossa terra sem receios e cheios de sonhos… sonhos que as fronteiras cada vez limitam menos, num mundo que vai extinguindo as fronteiras e barreiras. Sofia é o exemplo de alguém que sabe bem o quer, se prepara ao máximo para este exigente mundo cada vez mais elitista, em que cada vez mais só os melhores poderão chegar a certos patamares. Fica o exemplo e o orgulho de ver conterrâneos e conterrâneas nossas a darem cartas por cá e além fronteiras, pelos menos daqueles que vamos dando conta, porque sabemos que muitos mais exemplos proliferam pelos quatro cantos do mundo…


Esta reportagem/entrevista será posteriormente colocado na coluna "Entrevista".

Jose Belo
josebelo@novofangueiro.com

Nº de Visitas.: 0002808113
free log





Crónicas do Zé
Há 100 anos!
-Um «bota-abaixo» em Fão







"O Novo Fangueiro"
Email de contacto: geral@novofangueiro.com