
Após obras de requalificação do espaço interior, o Museu d’Arte abriu de novo as portas trazendo a público uma exposição dedicada a António Carlos da Silva Vila Chã Esteves, que foi professor, fundador do Jornal “O Fangueiro”, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Fão, além de escritor, caricaturista, aguarelista, pintor e, sobretudo, escultor.
Com esta mostra, o Museu d’Arte inicia um novo ciclo expositivo, desta feita dedicado aos valores locais, promovendo numa linguagem estética o seu reconhecimento e a sua valorização pública, trazendo a um novo convívio, autores com obra plástica contemporânea.
A exposição integra um catálogo científico, artigos de Loja e a realização de diversas actividades do Serviço Educativo do Museu, podendo ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, ao sábado e domingo das 15h00 às 18h00. O Museu d’Arte encerra às segundas-feiras e feriados.
Natural de Barcelos, onde nasceu em 1911, António Carlos Esteves casou em Fão, onde passou a residir. Na Escola de Belas Artes do Porto, frequentou o Curso de Pintura, que interrompeu para se matricular no Curso Superior de Escultura, disciplina ligada à experiência tridimensional que muito o interessa.
Foi professor na Escola Comercial e Industrial de Barcelos, onde produziu diversos trabalhos e estudos sobre Barcelos, mas é do seu estúdio de Fão que saíram as obras públicas de estatuária que hoje lhe reconhecemos no concelho de Esposende, produzidas no período entre 1951 e 1967.
Como escultor privilegiado de então, produziu o medalhão dedicado ao benemérito Francisco da Rocha Gonçalves na antiga Cantina Escolar (hoje a sede da Junta de Freguesia de Esposende), em 1950, o busto do poeta António Correia de Oliveira na Praça do Município, datado de 1955, o busto do benemérito Marcelino de Queiroz no Jardim do Hospital Valentim Ribeiro, de 1957, o medalhão dedicado ao Ministro Eng.º Eduardo de Arantes e Oliveira e à Avenida Marginal, de 1965, e o busto do escritor Manuel de Boaventura, obra póstuma, fundida em 1993 a partir do molde original em barro, da década de 1950. Em Antas, junto à Escola primária, está o medalhão em placa quadrangular da benemérita D. Amélia Correia de Oliveira (1955).
Dotado de uma capacidade natural para a escrita, foi, em 1958, Fundador e Director do Jornal “O Fangueiro” onde assina a rubrica “Recados à Prima”. Nesse mesmo jornal, na página “Página Literária”, publica caricaturas, quase todas a carvão, demonstrando o seu natural sentido de humor e a sua perspicácia.
Entre 1951 e 1967, foi Comandante dos Bombeiros Voluntários de Fão, onde se distingue por elevar o reconhecimento regional e nacional àquela corporação humanitária.
Como professor e mentor tinha um desígnio, a atribuição do Prémio Escultor António Carlos Esteves, no valor pecuniário de 500 escudos, criado por si e aprovado em 1968 pelo Ministério da Educação Nacional, a atribuir anualmente do seu bolso ao melhor aluno e à melhor aluna das Escolas de Fão com a melhor aprovação no exame do ciclo elementar (4ª classe), prémio que continua a ser atribuído pela viúva, Judite Pinto de Campos.
Em 1984 foi alvo de uma homenagem por parte da Câmara Municipal de Barcelos, que lhe atribuiu o nome de uma Rua. A Escola Secundária de Arcozelo, antiga Escola Industrial e Comercial de Barcelos, onde exerceu como professor e manteve um estúdio aberto aos alunos, também o homenageou com diversas iniciativas evocativas da sua vida e obra durante esse ano.
A Câmara Municipal de Esposende, através da Biblioteca Municipal, expõe pela primeira vez a título póstumo a sua obra pictórica, em Março de 1985, editando um desdobrável e angariando o reconhecimento público para tão grande figura local, de vinco nacional.
No passado dia 19 de Agosto, a Autarquia atribuiu-lhe a mais alta distinção: a Medalha de Mérito Cultural do Município.